Viagem: Cidades Históricas Mineiras
August 29, 2009Nos primeiros dias de agosto realizamos um projeto de longa data, visitar Ouro Preto e outras cidades históricas mineiras. Começamos por Tiradentes, cercada pela impressionante muralha de pedra que é a Serra de São José, com seu Centro Histórico repleto de barzinhos lotados de turistas no sábado e vazios domingo à noite, lembrando Paraty. Foi lá que vimos uma das cenas mais curiosas e bonitas da viagem: no alto de um morro de onde se tem uma vista panorâmica do Centro e onde os moradores se reúnem no fim-de-semana para ler, apreciar a vista e brincar com a criançada havia um senhor que, com um equipamento de som improvisado, espalhava música clássica pela cidade ao cair do sol, proporcionando um momento mágico aos transeuntes no final da tarde. Pesquisando depois descobri que tratava-se do Seu Mário, personagem já célebre no local.
De lá passamos em Congonhas do Campo para conhecermos as principais obras de Aleijadinho, os Doze Profetas e os Passos da Via Sacra. Obras, de fato, cheias de personalidade, força e emoção. Estar na presença dos profetas esculpidos em pedra-sabão com seus gestos grandiosos e eloqüentes foi uma experiência breve, mas marcante.
Entretanto foi a chegada a Ouro Preto que me tirou o ar quando vi o casario de outros tempos encravado entre colinas a perder de vista, uma imagem cinematográfica com luz perfeita às três da tarde. Era como estar dentro de uma pintura! Quando entramos cidade antiga outra surpresa, embora a paisagem fosse colonial havia muitos transeuntes e muitos carros contrastando com as ruas estreitas de paralelepípedos, o que para nós pareceu uma cena simplesmente surreal.
Respira-se História e nostalgia em Ouro Preto. O jeito de falar das pessoas é gostoso de ouvir e a comida, como em Tiradentes, é caseira e feita com tanto capricho que faz do arroz-feijão um prato nobre. E aonde quer que se olhe a natureza estará como plano de fundo, em harmonia com as ruas sinuosas, as igrejas e os casarões.
Estendemos nossa viagem até Belo Horizonte só para visitar a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, que reuniu três grandes artistas em torno si: Niemeyer, Burle Marx e Portinari. A visão da igreja, ousada para a época (década de 40), com suas linhas simples e seu interior ‘repleto de ausências’ e ao mesmo tempo tão magnífico com as pinturas, suaves em têmpera mas poderosas, de Portinari a ornamentá-la, e a lembrança das igrejas barrocas de altares rebuscados, cobertos de ouro com toda aquela profusão de santos, anjinhos e tantos detalhes que tínhamos acabado de visitar, fatalmente nos levaram à constatação de que conceitos como Arte, beleza, humildade, simplicidade e riqueza se confundem, se modificam e até se contradizem no decorrer da História e que o melhor a se fazer diante disso é simplesmente parar e apreciar aquilo que cada tempo e cada artista foi capaz de produzir.








































