Arquivo de August, 2009

Nos primeiros dias de agosto realizamos um projeto de longa data, visitar Ouro Preto e outras cidades históricas mineiras. Começamos por Tiradentes, cercada pela impressionante muralha de pedra que é a Serra de São José, com seu Centro Histórico repleto de barzinhos lotados de turistas no sábado e vazios domingo à noite, lembrando Paraty. Foi lá que vimos uma das cenas mais curiosas e bonitas da viagem: no alto de um morro de onde se tem uma vista panorâmica do Centro e onde os moradores se reúnem no fim-de-semana para ler, apreciar a vista e brincar com a criançada havia um senhor que, com um equipamento de som improvisado, espalhava música clássica pela cidade ao cair do sol, proporcionando um momento mágico aos transeuntes no final da tarde. Pesquisando depois descobri que tratava-se do Seu Mário, personagem já célebre no local.

De lá passamos em Congonhas do Campo para conhecermos as principais obras de Aleijadinho, os Doze Profetas e os Passos da Via Sacra. Obras, de fato, cheias de personalidade, força e emoção. Estar na presença dos profetas esculpidos em pedra-sabão com seus gestos grandiosos e eloqüentes foi uma experiência breve, mas marcante.

Entretanto foi a chegada a Ouro Preto que me tirou o ar quando vi o casario de outros tempos encravado entre colinas a perder de vista, uma imagem cinematográfica com luz perfeita às três da tarde. Era como estar dentro de uma pintura! Quando entramos cidade antiga outra surpresa, embora a paisagem fosse colonial havia muitos transeuntes e muitos carros contrastando com as ruas estreitas de paralelepípedos, o que para nós pareceu uma cena simplesmente surreal.

Respira-se História e nostalgia  em Ouro Preto. O  jeito de falar das pessoas é gostoso de ouvir e a comida, como em Tiradentes, é caseira e  feita com tanto capricho que faz do arroz-feijão um prato nobre. E aonde quer que se olhe a natureza estará como plano de fundo, em harmonia com as ruas sinuosas, as igrejas e os casarões.

Estendemos nossa viagem até Belo Horizonte só para visitar a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, que reuniu três grandes artistas em torno si: Niemeyer, Burle Marx e Portinari. A visão da igreja, ousada para a época (década de 40), com suas linhas simples e seu interior ‘repleto de ausências’ e ao mesmo tempo tão magnífico com as pinturas, suaves em têmpera mas poderosas, de Portinari a ornamentá-la, e a lembrança das igrejas barrocas de altares rebuscados, cobertos de ouro com toda aquela profusão de santos, anjinhos e tantos detalhes que tínhamos acabado de visitar, fatalmente nos levaram à constatação de que conceitos como Arte, beleza, humildade, simplicidade e riqueza se confundem, se modificam e até se contradizem no decorrer da História e que o melhor a se fazer diante disso é simplesmente parar e apreciar aquilo que cada tempo e cada artista foi capaz de produzir.

Nem sempre é possível sair de férias quando bem entendemos, mas às vezes quando preciso me desligar um pouco das tarefas do trabalho e desejo ir a um lugar especial, dou um pulinho no site da Lair Bernardoni, a minha fotógrafa preferida.

É tão boa a sensação que as fotos dela me trazem que um dia cheguei a escrever-lhe para falar o quanto gosto de visitá-la, e não é que ela me respondeu? Descobri que, além de artista e cosmopolita (aliás, o espaço para fotos de viagem dela é praticamente uma volta ao mundo), Lair é acessível e atenciosa. Ela me deu dicas preciosas de suas melhores viagens e depois deste contato passei a admirá-la ainda mais. E parece ser esta mesma a regra, a julgar pelas inúmeras cartas e depoimentos apaixonados por seu trabalho que foram sendo colecionados por ela no decorrer de sua carreira.

Os leitores com mais de trinta anos provavelmente guardam na lembrança algumas de suas fotografias que já ilustraram os cadernos da Tilibra, se não me engano na década de 80 (numa das mais famosas lembro-me de que havia um garotinho sério sentado no meio-fio, de boina e apoiando a mão no queixo), e também algumas das mais lindas campanhas publicitárias do Boticário, na época em que aqueles frascos de perfume e seus rótulos eram muito mais autênticos e característicos da marca.

Para quem, como eu, tiver se encantado com o trabalho único, lírico e romântico de Lair Bernardoni, recomendo também procurar por seus livros publicados. Tenho um deles, o Pinceladas de Luz, que folheio de quando em quando para não me esquecer de que esse mundo em que vivemos, apesar de tantas coisas, também é um lugar maravilhoso, e sou grata à Lair por suas obras e sua feliz trajetória de vida serem capazes de me dizer isso.

Scrapbook da Amanda

August 20, 2009

O Scrapbook, ou “Livro de Recortes”, é algo que se faz desde muito antigamente e que hoje foi redescoberto com a nova onda vinda dos EUA. Tratam-se de álbuns artesanais enfeitados com fotografias dispostas de maneira criativa, textos e outros elementos, tudo para enriquecer as memórias e lembranças guardadas no volume. A diferença no Scrapbook digital é que, ao invés de utilizarmos tesoura, cola e outros materiais, tudo é feito no computador. Há possibilidade de se realizarem combinações com fundos neutros, básicos e modernos, até composições que se parecem mesmo com artesanato, simulando papéis, texturas e enfeites como botões, prendedores, laços e outros.

A Amanda entendeu direitinho a idéia, pois além das fotos realizadas conosco, recebi dela uma caixa cor-de-rosa contendo várias coisas legais de sua viagem à Disney que ela queria registrar no Scrapbook, como passagens, cartões e tickets, textos de trechos de filmes escritos a mão por ela, autógrafos, enfim, elementos que foram escaneados e adicionados ao álbum e também a outras que ela nos trouxe. A padronagem da capa, por exemplo, foi tirada de uma embalagem trazida da viagem, idéia super criativa sugerida por ela própria!

Adoramos o resultado e esperamos que esse Scrapbook seja sempre visto e folheado várias e várias vezes no decorrer de sua vida…  Aproveitamos também para agradecer também à Regina por ter nos procurado e confiado em nosso trabalho!

Abaixo algumas páginas do Scrapbook da Amanda: